II CONGRESSO INTERNACIONAL
DE DIREITO DO TRABALHO
As expectativas foram confirmadas e a segunda edição
do Congresso Internacional de Direito do Trabalho foi um verdadeiro sucesso.
Realizado pela AMATRA 21 em conjunto com o TRT 21ª, o evento reuniu
nomes de peso do cenário doutrinário trabalhista, que brindaram
o público presente aos três dias de evento - ocorrido entre
os dias 26 e 28 de março, no Centro de Convenções
de Natal - com o brilhantismo de suas palestras e idéias defendidas
em torno do tema “Direito do Trabalho: Democracia, Justiça
e Inclusão Social”.
A abertura do Congresso foi bastante concorrida, reunindo
diversas autoridades, entre representantes da Magistratura e do Ministério
Público Trabalhista, advogados, da Anamatra, presidentes de Amatras,
representantes de patrocinadores, servidores e estudantes. O auditório
estava repleto e não era para menos: o palestrante da noite de
abertura era ninguém menos que o escritor Ariano Suassuna (veja
resenha da palestra na página 8), falando sobre a busca por uma
arte brasileira.
A juíza Simone Jalil Anchieta, presidente da Amatra
21, fez a abertura oficial do Congresso, saudando aos palestrantes, convidados
e congressistas e ressaltando a importância de um novo modelo de
cidadania, onde a ação da sociedade é a essência
para garantir um maior equilíbrio entre o desenvolvimento econômico
e o social buscando assegurar os direitos fundamentais do homem e onde
o direito do trabalho assume papel fundamental enquanto instrumento dessas
garantias.
O vice-presidente do TRT 21ª, Des. José Barbosa
Filho, afirmou que a realização do evento era bastante pertinente
para o aprofundamento das questões a serem debatidas, sendo também
uma oportunidade para os estudantes complementarem seus estudos. Ele lembrou
que a iniciativa da realização do primeiro Congresso partiu
do Presidente do TRT, Eridson Medeiros, que o idealizou e estabeleceu
a parceria com a AMATRA 21 para sua realização.
Durante o segundo dia de evento, o Ministro aposentado
do TST, José Luciano de Castilho Pereira, falou sobre a questão
da despedida arbitrária e a democracia nas relações
de trabalho. Sobre esta última, afirmou que não há
que se falar em democracia até a abolição da escravatura.
“Até ali não havia dignidade e não sei se passou
a haver depois”.
Para o ministro, o princípio da primazia do trabalho
estabelecido na Constituição de 88 rege que a economia de
mercado deveria se submeter aos princípios do trabalho, mas o que
é observado é que a ordem jurídica está em
litígio com a realidade. “O trabalho não é
valorizado no Brasil, a globalização está invertendo
valores e esvaziando a aplicação dos dispositivos constitucionais,
precarizando o trabalho e levando a aceitação de inverdades.
Mas os mercados já demonstram não ter condições
de continuar e pedem a ajuda estatal”.
Em seguida um painel com o tema da circulação
de trabalhadores e integração na América Latina reuniu
o Doutor Jorge Pinheiro Castelo e o presidente da Sociedade Latino-americana
de Direito Laboral, Jaime César Lipovetzky. Foram colocadas em
discussão as questões atuais decorrentes da internacionalização
dos contratos de trabalho, seus fatores e conseqüência jurídicas
no âmbito de um direito internacional trabalhista, onde os patamares
jurídicos são, muitas vezes, diferenciados, apontando para
a necessidade do surgimento de um direito do trabalho ampliado, com um
processo de harmonização das normas.
Na segunda etapa do dia, um painel sobre a relação
entre a educação e o trabalho e suas implicações
para a formação e qualificação de trabalhadores,
reuniu a Doutora Aldacy Rachid Coutinho e a Doutora Emília Maria
Prestes para traçar o atual panorama desta questão, abordando
a educação como um direito humano essencial para a qualidade
de vida do cidadão. Para Aldacy, o direito do trabalho não
é o algoz ou a solução para o problema
O professor uruguaio Oscar Ermidia Uriarte proferiu palestra
sobre os direitos humanos e a globalização econômica,
assinalado que estes direitos são conteúdos do ser humano
visto de uma perspectiva jurídica, estando fora da esfera de disponibilidade
e se impondo ao legislador/administrador como limite, devendo ser assegurados.
Ele considerou como sendo intolerável a aplicação
de lei ordinária em detrimento dos dispositivos constitucionais,
o que leva a uma séria de abusos. “O trabalhador não
deixa os seus direitos básicos fundamentais do lado de fora da
porta ao entrar na empresa onde trabalha” lembrou.
No terceiro dia de evento, o Doutor José Affonso
Dalegrave Neto palestrou sobre as situação das relações
de trabalho diante da atual conjuntura econômica, traçando
um cenário minucioso sobre o fenômenos da globalização
e suas implicações não só para o mundo do
trabalho, mas para a vida cotidiana das pessoas. “Se você
quer ter a receita para um produto de sucesso basta ter nas mãos
algo rápido, fácil, simples e globalizado. Assim estão
nossas relações hoje em dia”.
Para encerrar a programação científica,
um painel reunido o Des. Cláudio Mascarenhas Brandão (TRT
5ª) e o juiz Wolney Macedo Cordeiro (TRT 13ª) sobre a questão
da inclusão versus a discriminação. Para tanto, falaram
das diversas formas de discriminação observadas hoje e os
grupos mais atingidos, elencando ainda diversas situações
onde a discriminação se dá de forma camuflada, sem
esquecer dos mecanismos processuais existentes hoje disponíveis
para coibir tais práticas discriminatórias.
Houve ainda, durante o encerramento do Congresso, sorteio
de brindes entre os participantes, além do anúncio e premiação
dos vencedores da seleção de artigos científicos
do Congresso, entre profissionais e estudantes.
DIRETORIA
PRESIDENTE: Dra.Simone Medeiros Jalil Anchieta
Vice-Pres. : Dr. Alexandre Érico Alves da Silva
Secretaria : Dra. Rachel Vilar de Oliveira Villarim
Tesoureira : Dra. Elizabeth Florentino Gabriel de Almeida
COMISSÃO CIENTÍFICA
Dra. Simone Medeiros Jalil Anchieta
Dr. Zeu Palmeira Sobrinho
Dr Hermann de Araujo Hackradt
SECRETARIA EXECUTIVA
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