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19 de maio de 2020

Intensificação do tempo feminino é marca do período da pandemia, afirma presidente da Anamatra

Associação promove webinar sobre a pandemia e as mulheres do sistema de justiça.

Impactos do distanciamento social, divisão dos afazeres domésticos, importância do sistema de justiça trabalhista no momento de pandemia. Esses foram alguns dos temas abordados no Webinar realizado pela Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), na noite desta segunda (18).

O evento teve como anfitriã a presidente da Anamatra, Noemia Porto, e contou com a participação da juíza Patrícia Maeda, da Comissão Anamatra Mulheres, que coordenou os debates. A juíza Bárbara Ferrito (Amatra 1/RJ), a procuradora do Trabalho da 10ª Região Cecília Amália Santos e a presidente da Associação Brasileira de Advogados Trabalhistas (Abrat), Alessandra Camarano, atuaram como debatedoras.

Durante cerca de uma hora de debate, transmitido pelo canal da TV Anamatra no Youtube e na fanpage da Anamatra no Facebook, com alcance de mais de 1.600 pessoas, as participantes analisaram, em especial, o fato de a pandemia impactar de maneira diversa homens e mulheres. “O monopólio feminino das tarefas domésticas não pode se transformar em um modo em que a mulher estabelece alguma forma de poder. O não conformismo é o grande desafio”, analisou a presidente da Anamatra.

Noemia Porto também tratou de outras questões abordadas pelas participantes, como o deficit de participação feminina nas “lives” neste período de pandemia, realidade essa que já marcava os eventos presenciais. “Não se trata de uma questão de cotas, mas de presença no espaço público que lhes pertence”, disse. A magistrada falou também da desigualdade de salários entre homens e mulheres, o que, em sua avaliação, é uma questão de gênero.

O webinar tratou ainda do papel das agentes do sistema de justiça trabalhista neste período de pandemia. Para a presidente da Anamatra, a visibilização da questão de gênero é necessária. “Não podemos nos envergonhar de falar sobre isso, inclusive na perspectiva de discutir produtividade versus manutenção de um sistema de justiça”, disse.

A juíza Patrícia Maeda, coordenadora da Comissão Anamatra Mulheres, enfatizou a importância dos debates com presença exclusivamente feminina o que, em sua avaliação, é mais do que necessário neste momento de pandemia. “Fiquei muito feliz com a audiência e participação de colegas, homens e mulheres, que enriqueceram o debate no chat. Acredito que hoje foi dado o primeiro passo de uma boa caminhada”, apontou.

Interação – O webinar foi marcado por bastante interação, em especial no “chat” do canal da TV Anamatra no Youtube. “​Essa discussão sobre a carga mental que recai sobre nós, mulheres, e também sobre as múltiplas jornadas (trabalhadoras, mulheres, esposas, mães etc) é de extrema relevância”, apontou a juíza do Trabalho Natália Martins, da 8ª Região.

Juíza do Trabalho em Minas Gerais, Luciana Alves Viotti, alertou para a necessidade do equilíbrio. “​Importante que estabeleçamos os nossos limites, físicos, mentais, emocionais, bem como que a nossa interferência no sistema de decisão sobre o trabalho seja evidenciada neste momento”, apontou.

O público masculino também se fez presente. “Jornada tripla, exposição maior a relações abusivas com risco da própria vida. A mulher trabalhadora enfrenta a ‘tempestade perfeita’ neste período, apontou o juiz Luis Eduardo Soares Fontenelle​, do Conselho Fiscal da Anamatra, no chat

“Aqui em casa também há divisão dos trabalhos, sei a parte que me cabe”, afirmou Paulo Henrique Coiado Martinez, juiz do Trabalho na 15ª Região. O procurador Federal Fernando Maciel também fez parte da audiência masculina. “Que nós, homens, possamos ter a consciência de que a igualdade de gênero é pressuposto constitucional e não uma invenção da modernidade”, disse.


Clique aqui e confira o álbum de fotos do Webinar. 

Confira abaixo a íntegra do Webinar na TV Anamatra.

Autor: Ascom ANAMATRA